Rick Bonadio testou a IA compondo no estúdio — e o veredito surpreende | MusicPlay Club
Um dos maiores produtores do Brasil subiu um country rock gravado ao vivo no Midas e pediu para a inteligência artificial criar os instrumentos e até cantar. O resultado é engraçado — e diz muito sobre o que a IA faz (e o que ela não faz) com a sua música.
Assistir no YouTubeEsta edição em vídeo, com narraçãoO que a IA entregou no estúdio
Bonadio pediu instrumentos alternativos para um country rock real. A bateria veio lenta e ruim — e, no fim, a IA acabou copiando a batida original dele. O som saiu com uma qualidade sofrível: "parece que foi copiado numa fita cassete". Na guitarra, veio uma Telecaster com "corda quebrada raspando no captador", chiado e uma harmonia inventada. A sensação, o tempo todo: "já ouvi isso em algum lugar".
"O cara só sabe esse riff"
A IA repetia a mesma frase à exaustão — "já ouvimos 200 mil vezes a mesma coisa". Para ir além, o produtor escreveu uma letra satírica ("eu sou esperto, eu sou o futuro, quero irritar e tirar o emprego da galera") e mandou a IA cantar. O resultado foi divertido — com direito a um vibrato "estilo Fábio Júnior" —, mas soou bizarro, como um estúdio caseiro com vazamento e cachorro latindo ao fundo.
O recado sério no fim do vídeo
Para Bonadio, o que a IA entrega soa como "uma compilação de coisas que a gente já ouviu". Fazer música com trechos usados milhões de vezes é, nas palavras dele, "uma forma pobre" — e "nunca vai ter um resultado incrível". O trabalho de estúdio é justamente buscar novos caminhos, novas letras, novas ideias que emocionem. A IA não estimula: ela recicla o que grandes artistas já criaram. Virar isso um padrão seria desperdiçar o talento humano.
O recado: O teste do Bonadio é um bom lembrete: a IA repete o passado, e o que emociona ainda nasce da ideia humana nova. Para o artista independente, o diferencial não é a máquina — é a sua voz, a sua letra, o seu caminho. Use a tecnologia com critério, sem terceirizar a parte que só você faz. Salve este post e compartilhe com quem vive de música independente.
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